Arquitetura dinamarquesa: A riqueza de estilos

Hoje, vamos dar um passeio pelos estilos responsáveis por alçar a Dinamarca ao posto de expoente da área.

Hoje uma das mais famosas do mundo, a arquitetura dinamarquesa tem suas raízes nos acampamentos vikings de mais de mil anos de idade. E para entender um pouco da sua história até chegar aos nomes mais conhecidos dos projetos arquitetônicos do país (e do mundo!) hoje, vamos dar um passeio pelos estilos responsáveis por alçar a Dinamarca ao posto de expoente da área. 

Para entender a Dinamarca

Há registros encontrados em escavações no país que datam do ano 900 e que mostram exatamente como eram as casas naquela época - o formato mais clássico era semelhante ao de um navio viking, com as laterais ovaladas, e feitas para abrigar de 50 a 70 pessoas. Esse tipo de casa era construído inteiro em madeira. As paredes eram sustentadas com vigas verticais e o teto era feito de pequenas telhas também em madeira.

Já nas regiões em que não havia abundância dessa matéria prima, os habitantes criaram residências praticamente integradas ao ambiente externo. Ou seja, casas que ficavam ou abaixo do nível do chão, escavadas na terra, ou que aproveitavam a vegetação ao redor para fortalecer teto e paredes, como mostra a imagem. As primeiras igrejas dinamarquesas também datavam do século IX e eram de madeira - a maioria delas não sobreviveu.

Aos poucos, as construções foram mudando e integrando traços das grandes tendências europeias, como a arquitetura romântica, gótica e renascentista. As casas antes construídas apenas em madeira passaram a ser híbridas - de madeira e tijolos (também conhecidas como enxaimel, ou "half-timbered houses"). Um bom exemplo é a casa Anne Hvides Gård, construída em 1560. Ela ainda está de pé e hoje faz parte de um museu na cidade de Svendborg.

Evolução da arquitetura

Ao longo dos séculos, é possível analisar a presença dessas grandes correntes por meio de construções famosas no país. As igrejas dos séculos XII e XIII por exemplo, refletiam o estilo romântico em seus pés-direitos altos, janelas arredondadas e arcos de volta inteira. Bons exemplos são as igrejas de St. Bendt, em Ringsted (de 1170), a igreja de Nossa Senhora de Kalundborg (de 1200) e a Igreja de Østerlars, em Bornholm (de 1150).

Aos poucos, as edificações foram ganhando traços góticos, como janelas amplas, interiores decorados com murais, tetos em abóbadas cruzadas. A grande maioria dos exemplos da arquitetura gótica no país está nas igrejas, monastérios e castelos construídos nos anos 1200 e 1500 - um bom exemplo é o castelo de Glimmingehus (hoje na Suécia). Depois disso, o renascimento trouxe a inspiração dos castelos franceses para as construções dinamarquesas.

Cada vez mais os prédios construídos em pedra ganhavam espaço - mas a maioria das pessoas continuava vivendo em casas construídas em madeira e tijolos. Com a chegada da tendência barroca, nos anos 1600, a simetria das fachadas passou a ser algo essencial nas construções. Um dos grandes exemplos da arquitetura barroca dinamarquesa é a Igreja do Nosso Salvador, em Copenhague, que data de 1752.

Logo em seguida, o estilo rococó entrou na moda - e é dessa época um dos projetos mais icônicos do país (e um dos principais projetos rococós da Europa): o do distrito de Frederiksstaden. Planejado em torno de uma praça, o complexo tem quatro palácios com ruas largas ao redor.

A partir daí, como acontece com o mundo das artes plásticas, a arquitetura vai aos poucos retomando aspectos clássicos e neoclássicos, com inspiração em Roma e Grécia antigas. É nessa época que desponta aquele que é considerado até hoje um dos grandes expoentes da arquitetura dinamarquesa: Christian Frederik Hansen. Com seu estilo severo, limpo, de formas amplas e simples, ele foi o responsável por obras como o do tribunal de Copenhague.

É nessa época que os estilos começam a evoluir para o que hoje conhecemos como o estilo nórdico característico. São os estilos nórdico clássico e expressionistas, com suas cores sóbrias e fachadas imponentes - como a igreja de Grundtvig e sua forma de órgão.

Arquitetura moderna

A partir dos anos 1930, a versão dinamarquesa do funcionalismo começou a ganhar corpo. Isso quer dizer que tanto as construções quanto o mobiliário eram pensados e projetados jogando luz sobre suas funções. Ou seja, tudo precisava desempenhar sua função de forma confortável, eficaz, ergonômica e charmosa. Os materiais mais usados passam a ser concreto, tijolos, ferro e vidro.

Muitos dos projetos dessa época ainda estão em uso hoje em dia no país - sendo a maior parte deles de prédios de apartamentos residenciais. Ao longo dessas décadas, ganham notoriedade alguns nomes como Arne Jacobsen, mundialmente conhecido por suas poltronas Swan e Egg. Projetadas na década de 1950, as poltronas foram feitas especialmente para o lobby do Hotel Royal, em Copenhague. Também são dele os projetos do Aarhus City Hall e do Radisson Hotel em Copenhague.

Mas, ironicamente, o maior exemplar da arquitetura dinamarquesa dessa época não fica na Dinamarca. É a Opera House, um dos cartões postais de Sydney, na Austrália. O projeto é de Jørn Utzon.

Mistura do novo e do clássico

A arquitetura dinamarquesa hoje prioriza a luz natural e sistemas de energias renováveis. Nesse século XXI, as características da arquitetura do país se tornaram algumas das mais famosas do mundo, tendo Bjarke Ingels (cujo escritório de arquitetura chama-se BIG, de Bjanke Ingels Group) como um de seus mais célebres expoentes. O arquiteto nascido em Copenhague ganhou uma série de prêmios e foi considerado uma das pessoas mais influentes do mundo pela revista Time em 2016. 

Ele é conhecido por sua abordagem holística das construções e ambientes. Seus projetos (atualmente espalhados pelo mundo todo) são pensados para que tudo funcione de forma agradável para as pessoas e sustentável para o meio ambiente. Um bom exemplo é o prédio King Toronto (em Toronto, no Canadá) projetado por ele. O edifício é modelado como se fosse uma cadeia de montanhas com cinco picos diferentes, que variam de 15 a 17 andares. O prédio é  todo dividido em módulos em formato de cubos torcidos que permitem entrada de mais luz solar.

Outros grandes escritórios dinamarqueses em evidência hoje são o Henning Larsen Architects (responsável pelo The Wave, prédio em formato de onda, em Vejle, na Dinamarca, e por muitos prédios no Oriente Médio, como o Massar Discovery Center, em Damasco) e o escritório 3XN, responsável pela nova Royal Arena, em Copenhague. Além destes, Nørgaard’s Bispebjerg Bakke é um nome bastante conhecido pelo uso de materiais tradicionais - como cobre, madeira e tijolo - e é considerado um grande nome da arquitetura contemporânea dinamarquesa.

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Categoria: Arquitetura e Decorações

Publicado em: 19/08/2020

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