Quem foi Hans Wegner? Conheça um pouco da vida e obra do rei das cadeiras

Ao longo das últimas semanas, exploramos aqui no blog da Artesian um pouco da riqueza e das particularidades do design dinamarquês. E falar desse assunto sem mencionar o nome de Hans Wegner é praticamente impossível. Nascido em Tønder, no sul do país, em 1914, o dinamarquês viveu mais de 90 anos e teve uma vida profissional prolífica. Ao longo de 30 anos, projetou mais de 500 modelos de cadeiras, dentre os quais mais de 100 foram produzidas em larga escala e se tornaram verdadeiros ícones de design. 

 

Por isso, hoje vamos abordar um pouco sobre a vida e obra desse que é um dos mais renomados designers de móveis do mundo. 

 

>> Confira os posts anteriores sobre o design dinamarquês. Já abordamos por aqui um pouco sobre os estilos arquitetônicos tradicionais do país e aqui falamos sobre o estilo de vida de seus habitantes. Aqui você encontra também algumas dicas práticas para inserir toques nórdicos em um projeto ou ambiente. 

 

O rei das cadeiras

Associado ao funcionalismo orgânico, Wegner começou sua carreira ainda adolescente, como aprendiz de marceneiro, aos 17 anos. Depois acabou frequentando a Escola Dinamarquesa de Artes e Ofícios e a Academia de Arquitetura de Copenhague. Seus móveis ficaram mundialmente conhecidos por estarem intimamente ligados à máxima do design escandinavo: foco na forma e função. Em cada projeto, ele colocou as mais altas demandas de conforto e ergonomia. Para Wegner, uma cadeira não é apenas um móvel e sim uma obra de arte feita para suportar a forma humana.

 

 

Outro de seus traços mais marcantes é a utilização de madeira em suas cadeiras (mesmo tendo utilizado também vários outros materiais, como metal e compensado). Costumava ter também um talento especial para usar as características do material para criar linhas esculturais surpreendentes. A palavra dinamarquesa para design é “formgivning”, que traduzida literalmente significa “dar forma”. Aproveite e faça esse exercício: olhe bem para uma peça desenvolvida por Wegner - é bem provável que você comece a entender o verdadeiro significado da palavra.

 

Designs marcantes

Wegner começou a desenhar e projetar peças de mobiliário na década de 1930, quando ele descobriu que era disso que gostava. Desde cedo, tinha vontade de ver seus designs sendo fabricados em grande escala. Nos anos 1940, iniciou uma colaboração com Arne Jacobsen e Erik Møller, dois grandes nomes do design dinamarquês, com o objetivo de projetar móveis para a prefeitura da cidade de Århus.

 

 

Em 1942, Wegner vendeu uma peça de mobília para o então Museu de Arte Industrial de Copenhague (hoje Museu do Design da Dinamarca). E um ano depois, abriu seu próprio estúdio de design. Em 1944, iniciou os desenhos de uma série de cadeiras inspiradas nos tronos dos imperadores chineses. A cadeira mais famosa desta série, a Wishbone Chair, de 1949, foi produzida em massa por Carl Hansen & Sons - e é até hoje uma das suas mais famosas.

 

Datam desse mesmo período algumas outras de suas criações mais icônicas: Peacock Chair (1947), inspirada na plumagem dos pavões e nas cadeiras tradicionais de Windsor; e The Chair (1949), considerado um dos desenhos que mais representa a filosofia de Wegner de usar linhas puras com foco na função. Essa segunda, inclusive, ficou muito famosa por ter sido a cadeira usada no debate presidencial norte-americano entre Richard Nixon e John F. Kennedy, em 1960. Nas décadas de 1950 e 1960 destacaram-se a Flag Halyard Chair (de 1950), a Valet Chair (de 1953), a Ox Chair (1960) e a Shell Chair (1963).

 

 

O legado de Wegner

Wegner recebeu vários prêmios e homenagens ao longo de sua carreira. Isso inclui uma nomeação como membro honorário da Royal Danish Academy of Fine Arts e um doutorado honorário do Royal College of Art de Londres. Ele também foi o primeiro a receber o Prêmio Lunning, em 1951, e recebeu o 8º Prêmio Internacional de Design em Osaka, Japão. Suas obras foram apresentadas a grandes instituições do mundo, como o Museu de Arte Moderna de Nova York e o Die Neue Sammlung de Munique. 

 

Mas seu verdadeiro legado são, de fato, suas peças, que até hoje são referência. Wegner morreu na Dinamarca em 2007.

 

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Categoria: Designers

Publicado em: 24/09/2020

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